
A apresentação de garantias reais inferiores aos valores em dívida, que afinal são superiores às publicadas na lista de devedores, ditou o não ao PEC.
O Ministério das Finanças admite rever a decisão de indeferimento do pedido do
Estrela de adesão ao Procedimento Extrajudicial de Conciliação (PEC) para o pagamento faseado de dívidas fiscais, caso o clube reforce as garantias reais que foram apresentadas em relação ao valor dos impostos em dívida.
A possibilidade foi admitida, sexta-feira, ao presidente da Câmara Municipal da Amadora, Joaquim Raposo, numa reunião realizada com secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, onde se ficou a saber que, afinal, as dívidas do clube são muito superiores aos cerca de seis milhões de euros que constam na lista dos devedores ao Fisco.
Ao edil foi transmitido ainda que desde 2005 não foi pago qualquer imposto, mesmo as retenções de IRS, situação que representou para as Finanças "uma quebra de confiança" com o
Estrela da Amadora. Dívidas pelas quais a Direcção do clube foi já constituída arguida e alguns dirigentes estão sob a medida de termo de identidade e residência.
"As garantias apresentadas, no âmbito do pedido de adesão ao PEC, não chegam aos cinco milhões de euros e estão muito aquém do montante de dívidas fiscais do
Estrela. Posso apenas dizer que é superior a 10 milhões de euros. E foi esta a principal razão que levou ao indeferimento deste plano. As Finanças, admitem, porém, rever a sua posição caso venham ser reforçadas as garantias reais" revelou Joaquim Raposo, após a reunião com Carlos Lobo, onde esteve presente também a equipa da DGCI.
Liga evita descida de divisão do Estrela
Com o impasse gerado, permanece a falta de pagamento de salários aos jogadores. Um incumprimento que de acordo com as regras da Liga Portuguesa de Futebol Profissional impede a inscrição de jogadores para a próxima época.
A descida de divisão do Estrela este ano foi, no entanto, evitada com uma deliberação tomada hoje em Assembleia Geral da Liga. Os clubes incumpridores vão passar a perder pontos em 2010. A medida, que entrará em vigor na temporada 2010/11, foi aprovada esta sexta-feira.
Na próxima temporada, as equipas em situação de incumprimento salarial ficam, assim impedidas de inscrever novos jogadores ou renovar contratos, mas só a partir de Janeiro. A decisão desta reunião magna abre, assim, espaço para evitar que o
Estrela da Amadora desça este ano de divisão.
O presidente da Câmara da Amadora tinha esta tarde realçado ao Económico que a questão da descida de divisão do clube é independente das Finanças: "Trata-se de uma decisão da Liga, pois o incumprimento no âmbito desportivo, nomeadamente a falta de pagamento de salários é um dos critérios que impede a inscrição de jogadores. A descida de divisão depende apenas da Liga".
Penhoras pendem sobre terrenos do clubeSobre as dívidas fiscais, cujo montante Joaquim Raposo recusa revelar, pendem penhoras sobre os patrocínios ao clube e dois terrenos (Estádio José Gomes e campo de treinos).
Neste último caso, o edil alerta que "mesmo que as Finanças façam a execução não conseguirão receber o valor da dívida". Isto porque, explica, aqueles campos de futebol estão inscritos como zona desportiva no Plano Director Municipal (PDM), o que inviabiliza qualquer outro uso que se queira dar a estes terrenos. "Eu não vou alterar o PDM para as Finanças" conclui Joaquim Raposo.
Quanto ao reforço das garantias, segundo o presidente da Câmara da Amadora, aguarda-se agora que haja algum simpatizante do
Estrela que possa contribuir para a viabilização do PEC.